CAIU!

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/foto/0,,43162644,00.jpgErenice Guerra não resistiu às pressões e deixou o cargo de ministra-chefe da Casa Civil no fim da manhã de ontem. A informação foi dada pelo porta-voz da Presidência da República, Marcelo Baumbach, depois que Erenice se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em sua carta de demissão, Erenice alega que precisa de tempo para preparar a defesa dela e de sua família depois das denúncias trazidas à tona pela revista Veja que acusa Israel Guerra, filho da ministra, de intermediar contratos de uma empresa de transporte aéreo MTA com os Correios mediante pagamento de propina.

Quem assume interinamente o comando da Casa Civil é o atual secretário executivo, Carlos Eduardo Esteves Lima. O nome mais cotado para assumir definitivamente a pasta é a coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Míriam Belchior.

O governo esperava pelo pedido de demissão de Erenice, após uma série de denúncias de tráfico de influência e lobby envolvendo o filho da ministra, Israel Guerra. Reportagem publicada ontem pelo Correio Braziliense mostra a atuação de Erenice nos bastidores do poder também no Distrito Federal, com parentes exercendo funções comissionadas em postos-chave de órgãos do governo.

Na carta, dirigida ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Erenice disse ter sido surpreendida por uma série de matérias vinculadas por alguns órgãos da imprensa contendo acusações que envolvem familiares seus, ela tem procurado responder uma a uma "buscando esclarecer o que se publica e principalmente a verdade dos fatos, defrontando-me com toda a sorte de afirmações, ilações e mentiras que visam a desacreditar o meu trabalho e atingir o governo ao qual sirvo". A ex-ministra diz ainda que, ao longo de 30 anos de trajetória pública, não fez nada e nem permitiu que terceiros fizessem nada além do "estrito cumprimento dos meus deveres". Ela cita ainda como "prova irrefutável dessa minha postura" a solicitação feita à Comissão de Ética para abertura de procedimento sobre as denúncias envolvendo seu nome.

Família
Também ontem, Israel Dourado Guerra, filho da ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, foi exonerado da Terracap pelo governador do Distrito Federal, Rogério Rosso (PMDB). O Correio mostrou na edição de ontem que Israel, acusado de tráfico de influência, era funcionário fantasma da empresa do GDF. O filho de Erenice ocupava cargo comissionado, com salário de R$ 6,8 mil, mas não dava expediente. A Corregedoria-Geral do DF vai entrar com processo para recuperar o dinheiro pago irregularmente.

Trechos da carta da ex-ministra

"Nos últimos dias, fui surpreendida por uma série de matérias vinculadas por alguns órgãos da imprensa contendo acusações que envolvem familiares meus e um ex-servidor lotado nesta pasta, tenho respondido uma a uma, buscando esclarecer o que se publica e principalmente a verdade dos fatos, defrontando-me com toda a sorte de afirmações, ilações e mentiras que visam a desacreditar o meu trabalho e atingir o governo ao qual sirvo."

"Não apresentam uma única prova sobre minha participação em qualquer dos pretensos atos levianamente questionados, mas mesmo assim estampam, diariamente, manchetes cujo único objetivo é criar e alimentar artificialmente um clima de escândalo. Não conhecem limites."

"Senhor presidente, por ter formação cristã, não desejo nem para o pior dos meus inimigos que ele venha a passar por uma campanha de desqualificação como a que se desencadeou contra mim e minha família. As paixões eleitorais não podem justificar esse vale-tudo. Preciso agora de paz e tempo para defender a mim e a minha família, fazendo com que a verdade prevaleça, o que se torna incompatível com a carga de trabalho que tenho a honra de desempenhar na Casa Civil." 


DN

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