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Cangaceiro Antônio Silvino esteve em Ouro Branco, segundo pesquisador Fabrício Lucena

http://1.bp.blogspot.com/_14Uhd4iRwEU/TDZeJ_KR-tI/AAAAAAAAAx0/qqsChlpNubI/s1600/antoniosilvino3.jpgBaseado em fontes documentais e orais, podemos afirmar que o afamado cangaceiro Antonio Silvino (conhecido como o rifle de ouro), cujo verdadeiro nome era Manoel Batista de Morais, e seu bando passaram em Ouro Branco pelo menos três vezes. Antonio Silvino e Lampião foram os dois maiores nomes do cangaço nordestino.

A primeira vez foi em 12 de fevereiro de 1901, véspera da data na qual ocorreria o casamento da última filha solteira do coronel  Januncio Salustiano da Nóbrega, da fazenda Pedreira, filho de Gorgônio Paz de Bulhões, da Timbaúba.

Na noite de 12 de fevereiro de 1901, Antonio Silvino e seu bando estiveram nas cercanias de Santa Luzia onde por intermédio do padre Jovino da Costa Machado arrecadou uma boa soma em dinheiro dos moradores mais abastados e depois foram em direção a fazenda Pedreira a convite de dois filhos do coronel Januncio para participarem da festança do casamento. Esse convite foi feito ao capitão Antonio Silvino quando o próprio juntamente com seu bando de cangaceiros cercou os dois filhos do coronel Januncio no sertão da Paraíba, os mesmos estavam retornando de Pernambuco. No entanto, fazia parte do bando de cangaceiros do capitão Antonio Silvino, o negro Azulão, que era de Caicó e já tinha trabalhado para um filho do coronel Januncio, o tenente-coronel Gorgônio, e após reconhecer os dois outros filhos do coronel, pediu ao capitão Antonio Silvino que não fizesse nada com os filhos do coronel Januncio.  Então, os dois filhos do coronel Januncio fizeram o convite para o capitão Antonio Silvino e seu bando  participarem do casamento da irmã deles.

Quando vieram para o casamento da Pedreira, o bando de cangaceiros tinha a frente com o capitão Antonio Silvino, o negro Azulão, pois, o mesmo sabia o caminho para a Pedreira. Passaram no Poção de madrugada em direção a Pedreira, sendo, portanto, a primeira vez que o capitão Antonio Silvino adentrou em terras potiguares.

Só que no encalço dos cangaceiros estava uma força policial comandada pelo tenente Tolentino, vindos de Santa Luzia. Passaram por Ouro Branco e foram até a Pedreira onde surpreendeu os cangaceiros na manhã de 13 de fevereiro de 1901.

No tiroteio entre a polícia e os cangaceiros, morrem o cangaceiro Pilão Deitado e dois sargentos da polícia paraibana, Nestor e Estolão. Estes foram mortos por Antonio Silvino, que com dois tiros certeiros de seu rifle acabou com a vida dos dois jovens sargentos.

Antonio Silvino conseguiu fugir a pé do cerco policial. Outros cangaceiros não tiveram a mesma sorte do chefe, pois, mesmo fugindo do tiroteio na Pedreira, alguns foram posteriormente capturados e executados pela polícia. Azulão e Morreninho são presos na fazenda Dominga em Caicó, do Tenente-coronel Gorgônio e lá mesmo são executados. Pimenta e Macambira são presos em São José do Sabugi e executados em Santa Luzia, antes de serem executados, eles foram obrigados a cavar as suas próprias covas. Já o cangaceiro João Paciente é preso próximo a fazenda Pedreira, no Umari, e lá mesmo também é executado.

O livro “O fogo da Pedreira”, de Orlando Rodrigues, conta em detalhes o tiroteio entre o bando de Antonio Silvino e a força policial na Pedreira.

Em outra passagem por Ouro Branco em de 1911, Antonio Silvino e seu bando vinham de Jardim do Seridó famintos e cansados quando chegaram ao hotel de Silvéria Gorda (Silvéria Francelina da Conceição) que ficava na Rua de Baixo. Antonio Silvino logo chegou, apeou-se do cavalo com seu rifle Winchester e o punhal atravessado, entrou no hotel onde após se apresentar logo pediu a Silvéria Gorda para pôr comida e bebida para o seu bando.

Escabreado como sempre, Antonio Silvino deixava uma parte do bando dentro do hotel, enquanto esses tiravam a barriga da miséria com os ótimos quitutes de Silvéria Gorda, o resto do bando ficava fora do hotel na espreita pra ver se os “macacos” apareciam.

Passando alguns minutos, aproximou-se do hotel, Joaquim Ananias, neto de Bartholomeu de Souza Silva, o mesmo estava com uma dor de dente infernal, e adentrando no hotel foi logo recepcionado pelo Capitão Antonio Silvino que se apresentou lhe dizendo:

– Eu sou o Capitão Antonio Silvino, mas me diga, seu cabra, por que você tá com cara de aborrecido?
Assustado em estar de frente com o temido cangaceiro, Joaquim Ananias responde:

– Eu tava com uma dor de dente danada capitão, mas agora já passou!

Em 1912, novamente Antonio Silvino adentra o povoado do Espírito Santo só que dessa vez o mesmo dá um desfalque em três comércios, principalmente, na bodega de Pedro Gonçalves de Souza, que fecha seu estabelecimento e vai embora para Caicó. Antonio Silvino aproveita sua presença aqui na região e vai a Santa Luzia para se vingar do Capitão Aristides de Araújo Guerra, chefe político de Santa Luzia, bisavô de Dona Maria José de Nóbrega, porque ele tinha certeza absoluta que tinha sido o Capitão Aristides, o responsável pela emboscada policial na Pedreira. Chegando a Santa Luzia, a vingança foi consumada, pois, o Capitão Antonio Silvino deu uma surra de chibatadas no Capitão Aristides que já se encontrava com a idade avançada.

Antonio Silvino esteve no Poção, na casa de Amaro Leopoldino da Costa, mais conhecido como Amaro do Poção, também esteve na casa de Manoel Correia, no Cobiçado, e no sítio Angicos, propriedade de Joaquim Melquíades Alves Chianca.

Dona Maria Figueredo, já está com cento e dois anos de idade, e me falou que sua família morava na Paraíba no início do século passado, quando ela ainda recém nascida ganhou dois anéis de presente do Capitão Antonio Silvino, um de ouro e outro de prata. O presente foi entregue pelo próprio Capitão Antonio Silvino ao pai de Dona Maria, Ananias Dantas da Silva. O anel de ouro, a mãe de Dona Maria vendeu por causa duma seca muito severa, tendo que se desfazer do mesmo, já o anel de prata se encontra até hoje com Dona Maria. O Capitão Antonio Silvino foi preso após se ferir num tiroteio com policiais em 1914, no Estado de Pernambuco.

FONTE: “LIVRO “OURO BRANCO: DE 1722 A 1954”.

Por  José Fabrício de Lucena, pesquisador e amante da verdadeira cultura nordestina. Em 2015, lançou o livro "Ouro Branco: De 1722 a 1954".

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